domingo, 1 de dezembro de 2013

corcéis


vestíamo-nos de bronze
e de ambrósia
e bebíamos palavras ao acordar
destruíamos os mundos em folhas de papel
e criávamos sóis de metal
nada existia que fosse azul
(o céu não era azul)
e os pássaros voavam contra o vento

havia sacrifícios e artifícios
e o caos em ordenação
vivíamos dentro das árvores
e éramos simples como elas

tu montavas a cavalo
indomado pelos deuses
e o teu coração era âmbar
que aprisionava os ventos

quando chegavas
cheio de mares errantes nas mãos
tinhas palavras nos dedos
e vestias-te de sonhos camuflados na imensidão
nos dedos tinhas a música
nos olhos a vida que passou
e o sangue dos antepassados
eras o cosmos em desalinho prateado
eras a minha rendição