domingo, 20 de outubro de 2013

(sem título)


já nem o desassossego aqui vive
como com os fantasmas numa casa vazia
os pés desfazem-se no chão
há pó e nada
há silêncio e lume apagado
tudo é quieto e veloz
os livros empilhados não querem ser lidos
os pensamentos não querem ser pensados
há um sossego violeta nas coisas
sinto os dedos nas horas
as unhas mostram-se e bebem som
a pele descola-se com os aviões que passam
chove nos carros mas aqui tudo é seco
é a terra vazia que veio e que ficou

faltam as cores da vida nos outeiros à beira-estrada
falta o sol a brilhar por detrás das folhas
falto eu à vida
falto eu na casa
falto eu no chão e no lume e nos livros
falto eu nas horas e na chuva e nos outeiros
falto eu na estrada e no sol e por detrás das folhas
falto eu nas coisas


1 comentário:

Dylluan disse...

Por vezes faltamos a nós próprios. A vida torna-se-nos estranha. Talvez eu esteja agora de regresso à minha. Por onde andei, nunca saberei dizer, porque não participei na viagem, não estive comigo onde deveria ter estado.

medusa