domingo, 24 de março de 2013

cães


havia cães ao luar
oravas ao sem-nome com mãos agrestes

saberíamos deuses ardendo?

prostraste-te em cinzas e vácuo no arrozal
tinhas as garças e os girinos na linfa
sumias o vento e a cor no silêncio
e os ossos fundos dos mortos diziam adeus

Sibylla na neve e tu no arrozal
as damas vorazes de homens capazes
sexo com fartura e volúpia em rasgo
sacos e cestos de água sem semente viva
pobres os sons
vastos os céus de dedadas
criados os ventos
nexo de nada

ajoelhavam-se os monges ao cair da noite
bíblias rasgadas tombadas nos degraus
varandins impuros presos a nós
e condutas de outros lugares

onda-tabu de vestes rasgadas alucinantes
lençóis deixados a apodrecer nos tanques

ervas selvagens corriam nas nuvens
ópio lilás escorrendo dos sóis
brotavam silvos agrestes das terras
criavam a ambiência dos infernos celestes

raparigas orientais presas às árvores
caíam com as folhas
enfeitam o chão

os cães abandonam as estepes
presos aos dedos de quem escreve

uivam os cães na madrugada
curvam-se as aves a quem se vem
libertas as ânsias nos ramos das árvores

venham os poetas os ciganos as prostitutas os moribundos e os doentes
venham no choro convulsivo de quem não tem outrem
venham pedindo a Afrodite uma bênção de bálsamo nu

            recebam a fortaleza do toque alheio nos seus sítios secretos


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