domingo, 17 de março de 2013

altar


os teus tumores vertebrais escorrem nas minhas mãos rasgadas
são odores que atravessam paredes e sons que bóiam nos bidés
pedaços de carne que furam
rompem furiosamente o chão
estilhaçam os alicerces do teu corpo e dos meus olhos

raspo com facas os teus tumores cervicais
ouvem-se ossos no metal
soam a opacidade
são estalos ocos e secos de languidez
destilo-os com ervas secas e bebo-os às refeições
ergo-lhes altares e pus


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