domingo, 6 de janeiro de 2013

ofício


quanto custa o medo nas tuas ancas o fogo
o calor dos astros caídos na serpente vazia
e casta o absoluto comer inalar os fogos
de luar no nevoeiro azul comer o pássaro
que voa como quem chora de afeição mundana
na cal do rosto na cal dos dias e o açafrão
espalhado na bancada e aspergido para a rua

                             – baptizo-vos com açafrão


1 comentário:

Leda Dylluan disse...

O ritmo deste poema faz-me recordar a cadência das ondas ao encontro de uma praia. A onda que recua empresta parte da sua força à onda que chega. O poder é transmitido de umas para as outras infinitamente. Perfeito!

peixinhos