domingo, 25 de novembro de 2012

água


Lisboa é um bicho que morreu
cheira mal e espuma líquidos escuros
infecta-me a roupa com podridão

Lisboa é um bicho de boca aberta
é a senhora de unhas negras
que apodrece nas esquinas

arranho-me nela
pingo sangue nas estradas e nos passeios
fujo sem lhe escapar

a água já não existe
Lisboa secou à beira-rio



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