domingo, 28 de outubro de 2012

cornos lunares


cornos lunares no crepúsculo dos sofás
setas partidas presas nos xailes de inverno
sapatos de verão calçados e gelam os pés
tinta gasta em papel amarelado

cadeiras de cornos lavradas por setas
xailes rasgados e manchados de tinta
saltos que se partiram com o gelo
e os sofás gastos brilham ao cair da noite

soltas as coisas mas presas por fios
dormem nos bancos piolhentos de jardim
esperam esmolas pela manhã
e comida esgravatada nos lixos
esperam as garrafas de vinho dos indigentes
bálsamo de encantamento e de calor

invernos e mobílias estragadas com o frio
jardins suspensos na intermitência das estações

hordas de mobília avançam ao entardecer
as hostes dos tecidos que visto preparam as armas
o que cobre os pés organiza-se em legiões
apresento-me nua e sem suporte na batalha


Sem comentários: